Hugo Motta. Republicanos. Paraíba. Eleito presidente da Câmara em fevereiro de 2025 com 444 votos. Aos 35 anos. O mais jovem presidente da Câmara desde a redemocratização. Apoio de Lula. Apoio de Lira. Apoio do PSD, PL, MDB, União Brasil, PT.
Todo mundo quis Hugo Motta.
E sabe por que? Porque Hugo Motta aprendeu cedo como funciona. Família de políticos da Paraíba. Avô paterno foi prefeito de Patos. Avô materno foi deputado estadual cinco vezes e deputado federal uma vez. Hugo foi eleito pela primeira vez aos 21 anos. Ainda cursava medicina. Transferiu o curso pra Brasília pra poder exercer o mandato. 4º mandato consecutivo. Na última eleição, foi o mais votado da Paraíba. 158 mil votos.
O presidente da Câmara dos Deputados recebeu R$ 1,2 milhão de campanha de duas empresas.
Odebrecht e Andrade Gutierrez.
As mesmas que ele deveria investigar na CPI da Petrobras.
Ele era o presidente da CPI.
Nenhum político foi indiciado.
Mas o que importa não é como chegou. É o que fez quando chegou.
Fevereiro de 2015, CPI da Petrobras a Lava Jato estava no auge. O Brasil inteiro querendo respostas. Hugo Motta, aos 25 anos, é escolhido pra presidir a CPI na Câmara. Indicação do PMDB. O relator? Luiz Sérgio, do PT.
A CPI durou meses.
E o resultado?
Nenhum político indiciado. Dezenas de parlamentares investigados pela Justiça, pelo
MPF, por provas apontadas pela Procuradoria.
Nenhum apareceu no relatório final.O Congresso, mais uma vez, se protegeu.
E quem presidiu esse resultado? Hugo Motta. O mesmo que recebeu R$ 742 mil da Odebrecht e R$ 451 mil da Andrade Gutierrez na campanha de reeleição. 60% do financiamento dele veio das empresas investigadas pela CPI que ele presidia.
Mas espera…
Tem mais.
O Congresso em Foco publicou em 2015 que Hugo Motta pagou R$ 30 mil a uma empresa investigada pela PF antes de ser indicado pra presidir a CPI. Alvos de investigação da PF cercavam Hugo Motta. E mesmo assim, foi escolhido. Não por acaso. Justamente por isso.
O Centrão precisava de alguém que soubesse conduzir uma CPI sem resultados inconvenientes.
E Hugo entregou.
Avança pra 2020.
Hugo Motta libera no orçamento federal R$ 4,7 milhões em emendas pra recuperar uma avenida em Patos, Paraíba. Patos, a cidade governada pelo pai dele, Nabor Wanderley (Republicanos, mesmo partido). O dinheiro foi pra uma obra que somou R$ 6 milhões com aditivos.
A empresa que ganhou a licitação? Engelplan.
E aí entra a PF …
Abril de 2025. A PF deflagra a segunda fase da
Operação Outside. Alvo: fraude licitatória e desvio de recursos públicos em Patos.
A suspeita: a Engelplan reduziu o preço pra vencer a licitação e depois foi beneficiada com aditivos superfaturados.
O Ministério Público Federal apresentou 4 denúncias criminais e 3 ações cíveis.
Acusações: fraude de licitação,
superfaturamento, corrupção e improbidade.
A obra foi feita com emendas de Hugo Motta. Na cidade do pai dele. Oficialmente, pai e filho não são investigados.
Aqui começa a ficar absurdo…
E os sogros de Hugo Motta? Réus por fraude à licitação.
A imprensa nacional noticiou a elevação do patrimônio da família Motta e citou os sogros do presidente da Câmara como réus. De um lado, Hugo Motta declara ter 50% de um avião avaliado em R$ 100 mil ao TSE. O outro dono? A empresa Avpar Participações, que tem como sócio o deputado Aguinaldo Ribeiro. Hugo divide um avião com outro deputado do Centrão. E é esse o patrimônio declarado do presidente da Câmara.
Agora vem o que conecta tudo.
Conversas de WhatsApp recuperadas pela PF no celular de Daniel Vorcaro - o banqueiro do Banco Master - mencionam reuniões envolvendo Hugo Motta. Também aparecem o senador Ciro Nogueira e o ministro, Alexandre de Moraes. Hugo Motta e Alcolumbre silenciaram sobre o futuro do caso Master no Congresso. Nenhuma CPI instalada. Nenhuma CPMI aprovada. O rombo de R$ 47 bilhões do Banco Master não tem investigação parlamentar.
E quando o senador Renan Calheiros quis mover o caso, acusou Hugo Motta e Arthur Lira de terem chantageado o ministro Jhonatan de Jesus no TCU pra impedir a liquidação do Banco Master. Motta e Lira, os mesmos que colocaram Jhonatan no TCU. Os mesmos que agora controlam o que o Congresso pode ou não investigar.
Mas tem um padrão aqui.
Então olha o que você tem.
Um político que começou aos 21, família de políticos. 4 mandatos consecutivos. Presidiu a CPI da Petrobras financiado pelas empresas investigadas. Resultado: zero políticos indiciados.
Emendas de R$ 6 milhões pra cidade governada pelo pai. PF investigando desvio na mesma obra. Sogros réus por fraude, mencionado em conversas apreendidas do banqueiro do Master. Silencia sobre CPI. Acusado de chantagem no
TCU. E hoje preside a Câmara com 444 votos de todos os partidos.
Quem controla a mesa que investiga nunca será investigado.
Hugo Motta tem 35 anos. No ritmo que anda, pode presidir a Câmara, virar senador, governador. O Centrão não escolhe quem grita mais. Escolhe quem entrega mais. Quem protege melhor. Quem incomoda menos. E Hugo Motta nunca incomodou ninguém. Exceto, talvez, quem esperava que a CPI da Petrobras tivesse resultado.
Ele controla a pauta da Câmara.
A Câmara controla o que vira lei.
E a lei controla o que acontece com o seu dinheiro, a sua aposentadoria, o seu imposto.
O problema nunca foi falta de investigação. É quem decide se ela acontece.






