Aos surpreendidos, vale uma breve lembrança: Vorcaro contratou o Imperador por quase R$ 4 milhões por mês.
“Ah, mas o contrato não era com o Imperador, e sim com a Imperatriz”, dirão os mais inocentes. Certo, certo… A advogada que, por uma coincidência extraordinária, jamais redigiu uma única petição para o próprio Vorcaro. Está tudo perfeitamente explicado.
Vamos tentar enxergar a realidade como ela é. O Imperador prestava consultoria ao banqueiro, pela polpuda bagatela de R$ 4 milhões mensais. A Imperatriz funcionava apenas como um elegante instrumento de intermediação institucional, conferindo ao 'contratinho' uma aparência minimamente apresentável. Em outras palavras, uma laranja.
Nessas condições, convenhamos, é absolutamente natural que o consultor seja diligente nas interações por zápi. Quem recebe R$ 4 milhões por mês costuma responder às mensagens do cliente com certa prontidão. Nada mais normal que o Imperador atendesse Vorcaro com presteza: tratava-se simplesmente de uma relação profissional muito bem paga.
“Mas ele não é ministro do STF?”
Calma. Nas horas vagas ele assume seu papel de Torquemada, guardião da democracia, paladino da República e outras funções retóricas do cargo. Mas, ao que parece, o papel mais relevante nessa corte suprema tem sido o de operador de um sofisticado balcão de influência, atividade que ajuda a explicar o 'contratinho' de tamanha magnitude.
Diante desse dilema existencial, seja a fidelidade aos princípios constitucionais ou lealdade ao cliente contratante, Sua Majestade fez uma escolha compreensível. Afinal, o Estado lhe paga um salário de meros R$ 50 mil mensais, quantia que mal deve cobrir sua adega. Já Vorcaro, munido de grande visão empresarial, lhe oferecia 'módicos' R$ 4 milhões por mês.
É preciso compreender as circunstâncias. As preferências de nossa Majestade foram guiadas, ao que tudo indica, por uma simples lógica financeira.
Portanto, não sejam tão duros com o Imperador. No fim das contas, ele apenas estava trabalhando.
E, claro, nas horas vagas salvando a democracia.
Ps* contém ironias
