Se for verdadeira — e a notícia relata justamente uma articulação conjunta entre LULA e ministros do STF para influenciar, de antemão, a composição e o resultado político de uma CPI no Senado — não se está diante de um fato “grave” apenas em sentido retórico, mas de um sintoma extremo de deterioração institucional.
Os noticiários apontam que a troca de dois integrantes ocorreu pouco antes da sessão de votação, num contexto em que o relatório do senador Alessandro Vieira propunha o indiciamento de ministros do Supremo no caso Master.
O que está em jogo aqui não é uma divergência política comum, nem uma articulação parlamentar banal.
Se o Poder Executivo articula com o próprio Supremo Tribunal Federal para interferir, ainda que indiretamente, no destino de uma CPI que alcança ministros da Corte, a separação de Poderes já era e se trata de mera encenação.
Não se trata mais de desvio pontual: trata-se da corrosão do próprio mecanismo de freios e contrapesos.
Quem não consegue perceber a monstruosidade institucional de uma articulação dessa natureza simplesmente não compreende o funcionamento mais elementar da República.
É inacreditável: o órgão que deveria ser investigado ou preservado da contaminação política aparece no centro da operação destinada a neutralizar o resultado de uma investigação parlamentar.
É essa a "democracia"do regme Lula-PT-STF?
Não é normal. É democracia funcionando mal; é negação da democracia constitucional.
Não existe Estado Democrático de Direito onde investigação parlamentar possa ser domesticada por combinação entre Poderes que deveriam ser independentes.
Há, isso sim, concentração indevida de poder, promiscuidade institucional e colapso da confiança pública e da confiança institucional
Se alguém ainda não entendeu a gravidade disso, talvez já tenha naturalizado o inaceitável.
O inaceitável se tornando normal fulmina o Estado de Direito.
Se dependermos do Congresso Nacional e do STF para termos um país sério, próspero e desenvolvido, estamos ferrados.
A moralidade pública morreu e foi enterrada há muito tempo no Brasil. Aqui, o que vale é o dinheiro no bolso de muitos congressistas e o poder concentrado nas mãos do STF.
E o povo? Ah, o povo que se exploda.
