É difícil digerir os rumos que a política vem tomando no Brasil. Estamos submersos em uma medonha crise de humanidades. Crise moral. Ética. Jurídica. O escândalo deixou de causar espanto e a indignação corre o risco de tornar-se apenas um hábito.
Se há muito já não causavam surpresa as concupiscências vindas dos Poderes Legislativo e Executivo , agora é a última guarida do cidadão, o Poder Judiciário, que se vê envolta em gravíssimas suspeitas. E, quando até aqueles incumbidos de guardar a lei passam a ser alcançados pela desconfiança, não é apenas uma instituição que perde autoridade: é a própria República que começa a perder o pudor.
Abrimos uma espécie de caixa de Pandora à brasileira. Dela parecem saltar, em alegre promiscuidade, interesses, conveniências, privilégios, suspeitas e aquela velha certeza nacional de que a moralidade é sempre uma exigência destinada aos outros.
A probidade agoniza. A ética pede habeas corpus. E a Justiça, ironicamente, parece precisar de Justiça.
Nesse espetáculo grotesco, quem ainda escaparia incólume?
